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d i s s i d e n t
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a r t i s t : Violins
t i t l e : Aurora Prisma
d a t e : 2003
l a b e l : Monstro Discos
g e n r e : Indie
r l s. d a t e : Nov/2003
t r a c k s : 13
b i t r a t e : 192kbps
s i z e : 87,4 MB
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this is the debut album from the band that used to be called
"Violins and Old Books". Brazillian indie at it's finest.
RELEASE - By Andre Takeda (Portuguese Only)
Uma fotografia em preto e branco, uma rosa com pΘtalas
perdidas, um aparelho portßtil de CD. O lustre da sala
iluminando os trΩs objetos solitßrios no centro da mesa para
que o cansaτo do trabalho nπo desviasse a sua atenτπo. Ela
ainda procura um bilhete. Mas jß sabe que nπo encontrarß
nenhuma palavra. Apenas canτ⌡es. Por isso, abre a janela, deita
o corpo sobre o sofß e coloca os fones de ouvido.
E nπo precisa mais do que trinta segundos, ap≤s apertar a tecla
play, para ter certeza de que ali comeτa o fim. O quarteto de
cordas, o piano, a bateria cadenciada e os versos ôO seu sol se
p⌠s, depois que o meu corpo trouxe a luzö sπo um cartπo de
visitas. Como se ele dissesse que ôEste Θ Aurora Prisma, o
primeiro ßlbum da banda goiana Violins, e vocΩ estß ouvindo a
minha despedidaö. Girando a rosa por entre os dedos, sente a
dor de espinhos que nπo existem. Talvez fosse a saudade
entrando aos chutes e pontapΘs, talvez fosse a rara poesia das
melodias e harmonias que beijava o seu ouvido. AtΘ nas
despedidas ele sabia ser ·nico, pensa. De onde, afinal, surgiu
essa banda?
Se ele estivesse por perto, poderia dizer a ela que o Violins
foi formado em 2000 por quatro estudantes de GoiΓnia que se
conheceram em um encontro universitßrio em Campo Grande. Beto
Cupertino, LΘo Alcanf⌠r, Pierre Alcanf⌠r, TimotΘo Madaleno e
Pedro Saddi logo conquistariam o circuito das bandas
independentes brasileiras com um rock carregado de melancolia,
influenciado por bandas como Sunny Day Real Estate e Radiohead.
Cantando em inglΩs, o quinteto se chamava Violins And Old
Books. O batismo definitivo aconteceu quando Beto encontrou a
sua verdadeira voz. Uma voz que nπo possui vergonha de assumir
todos os sentimentos. Seja cantando de forma intensa, seja
declamando belφssimos versos em portuguΩs.
Versos como ôE tudo o que eu disser nπo vai fazer vocΩ voltar
pra dizer/ que jß nπo Θ a mesma coisa quando estß com vocΩö, de
ôAuto-Paparazziö, que trazem de volta lembranτas de sorrisos
esquecidos enquanto guitarras em cascatas fazem o seu corpo
flutuar. Ela sabe que nπo serß a mesma depois de ouvir este
disco. Assim como a m·sica brasileira tambΘm nπo serß.
Ao produzir um dos melhores ßlbuns da nova safra de rock
nacional, o Violins sem querer reinventou a velha MPB urbana de
L⌠ Borges, Nei Lisboa e Vitor Ramil. Sem a patrulha de
regionalismos e a genialidade autodeclamada de panelinhas. Nπo
existe, hoje no Brasil, uma banda que faτa canτ⌡es como ôQual A
Crianτaö, com o seu apelo pop de extremo bom gosto, e ôDeus
VocΩö, que mistura peso e melodia na medida certa. Ou entπo a
catßrtica ôAuto-De-FΘö, onde a voz de Beto se mostra
completamente desnuda.
Os minutos passam, e ela Θ pura alma agora que se entregou α
m·sica do Violins. Olha para a fotografia. ╔ apenas o seu
rosto, dois ou trΩs anos mais jovem, com os lßbios em um riso
tφmido e os cabelos caindo sobre a testa. Ela busca na mem≤ria
aquela imagem. ôHoje amanheceu chovendo/ entπo eu preferi olhar
os seus olhos entreabertos/ censurando o ventoö, ouve. E as
coisas comeτam a ficar mais claras. Uma cama, os corpos se
espreguiτando com paixπo e a certeza de que aquele momento
seria para sempre. E foi. Estß aqui, em suas mπos, no preto e
branco de quem nπo vΩ felicidade somente nas cores.
Sim, o Violins Θ um exemplo de que Θ possφvel criar uma
sonoridade extremamente melanc≤lica e, ainda assim, feliz. ôEu
estive tπo doente nesses ·ltimos 23 carnavais/ e eu nπo quero
mais.../ eu nπo quero mais.../ retirem-me desse quarto/
coloquem-me na ambulΓncia/ e levem-me atΘ a festaö, Beto pede
em ô23 Carnavaisö. A esperanτa Θ fruto de arranjos
cuidadosamente elaborados. Produzido pela pr≤pria banda, Aurora
Prisma surpreende com as suas cordas, metais e pianos. E dß um
tom redentor α dor que pulsa em cada uma das 13 m·sicas do
disco.
Mas ela ainda quer saber por quΩ. A resposta chega como uma
faca: ôNπo mais solidπo/ eu estive tπo ocupado/ que esqueci de
lhe deixar pra sempreö. Finalmente, ela pensa, finalmente as
asas voltaram a crescer. As minhas, as dele. E o sol parece
nascer. ╔ a aurora, que surge em um prisma no vidro da janela.
Ela estß cansada. ╔ melhor dormir. ôE pela janela se vΩ/ o
mundo em paz/ vocΩ em paz/ fui eu que me perdiö, o canto de
Beto ecoa. Sim, Θ melhor dormir. Mas, na d·vida, ela deixa a
porta aberta.
E agora as portas da m·sica brasileira tambΘm se abrem. O
Violins estß entrando. Porque Aurora Prisma Θ sim um disco que
fala de despedida. Mas que, no fundo, veio para ficar.
ôEspera que o tempo arde outra vezö, a banda diz em
ôEmpresta-me o ßbacoö. Acredite: nunca valeu tanto a pena
esperar.
AndrΘ Takeda Θ autor dos romances Clube dos Coraτ⌡es Solitßrios
(Conrad, 2002) e Cassino Hotel (Rocco, lanτamento em 2004)
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01-o vendedor de sol [04:08]
02-auto-paparazzi [06:38]
03-feche seu corpo [04:46]
04-qual a crianτa [04:46]
05-empresta-me o ßbaco [04:37]
06-deus vocΩ [05:32]
07-23 carnavais [06:55]
08-sim sentido [03:51]
09-ex falso [05:22]
10-pais [04:05]
11-nonstalgica [03:29]
12-auto-de-fΘ [04:47]
13-ocidente/oriente [04:35]
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63:31 min
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e m a i l: diss@subdimension.com
inventas vitam iuvat excoluisse per artes